quinta-feira, abril 15, 2010

Chorou


Entrou em casa. O sol já tinha ido mas a noite ainda não tinha chegado. O cansaço que sentia não a deixou sequer chegar à sala... sentou-se ali mesmo, no chão frio do corredor vazio. Abraçou as pernas, deitou a cabeça nos joelhos e chorou. Chorou como nunca se lembrava de ter chorado. Chorou por tudo, chorou por nada. Chorou com alma, chorou com lágrimas, chorou gritos e suspiros, chorou alegrias e tristezas. Foram anos de lágrimas reprimidas que se soltaram, foram anos de tristezas submersas que emergiram. Chorou como nunca se lembrava de ter chorado...

quinta-feira, março 11, 2010

Saudades

Tenho saudades...

... do verão.
... de ti.
... de abraços.
... de beijos.
... da montanha.
... de viajar.
... de ti.
... de praia.
... de calor.
... de vestidos.

segunda-feira, março 01, 2010

Entre o caos e o medo



Como foi possivel chegar a este ponto? Sentada no chão da sua sala, tentava perceber como se tinha deixado levar... Tinha perdido o controlo da situação e isso deixava-a completamente de rastos. Ela que sempre foi tão fria ao ponto de nunca se deixar levar por qualquer tipo de sentimentos, sentia-se à deriva.
Mergulhada no caos da sua casa, que reflectia na perfeição o caos do seu espírito, tentou em vão encontrar uma saida.
Olhou à sua volta e resolveu organizar, limpar, arrumar a confusão que tinha deixado acumular em casa.
Depois da casa limpa, arrumada e organizada, desejou poder fazer o mesmo com ela própria.
Tambem ela precisava de pôr as coisas na ordem, as ideias no sítio e voltar a ter o coração de pedra que sempre teve para nunca mais se deixar levar por sentimentos que não conseguisse controlar.
PERDER O CONTROLO da situação é, e será sempre, o seu MAIOR MEDO!

domingo, fevereiro 21, 2010

A procura

Procurou por toda a parte, revirou os móveis, abriu todas as gavetas. Saiu de casa.
Procurou por toda a parte, subiu às árvores, revirou a terra. Entrou no carro.
Procurou por toda a parte, correu as ruelas, percorreu as avenidas. Saiu da cidade.
Procurou por toda a parte, subiu às montanhas, mergulhou nos oceanos. Desistiu!!
Procurou por toda a parte e não encontrou solução nenhuma.
Como é que se resolve um problema quando este não tem solução?

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Doce Adolescência


Lá vai o tempo:
da adolescência
das festas do pijama
dos cigarros nas traseiras da escola
das cervejas no café ao lado da escola
dos beijos nojentos mas que adoravamos
de falar mal do rapaz que nos derretia o coração
dos diários com cheiro a morango
de meter 10 chiclets na boca ao mesmo tempo
das duvidas
das borbulhas
de escrever na roupa e nas sapatilhas rotas
...
Doce Adolescência

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

A árvore mais alta


Trepou por entre os ramos até chegar ao topo da mais alta árvore da floresta. Carregava às costas uma corda. Desconfortávelmente sentada, observava o horizonte. A paisagem deserta, o silêncio assustador tornavam aquele momento único. Era só ela, a árvore e o luar.
Prendeu uma das pontas da corda ao mais robusto ramo. Da outra ponta, fez um laço que ajustou à volta do pescoço. Estava tudo a postos. Deixou-se ficar a desfrutar daquele derradeiro momento. A partir de agora só havia uma saída. E foi essa única saída que ela tomou.
Levantou os olhos.
Contemplou a estrelas.
Respirou fundo.
Saltou...

quinta-feira, janeiro 21, 2010

As Rosas do meu jardim


As rosas adormecidas descansando ao luar repousam os seus espinhos.
Tamanha beleza assim enaltecida por uma lua majestosa esconde na perfeição o perigo que espreita. Cada pétala reflecte o sonho e a magia das doçuras da vida, mas cada espinho contem o veneno e o pesadelo das agruras do passado.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Verde e Rosa


- Verde e Rosa! Vou pendurar cortinados verde e rosa!
A sala quase vazia precisa vivamente de cor. Começou pelos cortinados. Entre escadotes e varões, entre tecido e madeira, lá conseguiu pendurar os cortinados.
- Mmmm... não sei não..., pensou em ela.
- Acho que vou ter que trocá-los de sitio.
Mas o que é certo é que ela ficou impressionada com o poder das cores. O simples facto de cobrir as janelas com aqueles panos de cores fortes fez daquela sala um sitio alegre!
Levantou o volume do radio e dançou!

domingo, dezembro 06, 2009

Por detrás das persianas


Chegou a casa. Mas a casa fria e vazia provocou nela uma sensação de solidão que há muito não experimentava. Sentou-se na varanda como sempre fazia quando se sentia só. Reparava nas janelas dos prédios em redor e imaginava os cenários por detrás das persianas fechadas.
A velha viúva sentada no sofá, a fazer festas ao gato deitado no seu colo.
A dona de casa que prepara o jantar enquanto os filhos correm à volta da mesa e o marido lê o jornal.
O casal recém-casado que faz amor.
E ela, ali sentada a fumar mais um cigarro e a pensar no que será a vida dela daqui uns anos... o mais certo é continuar sozinha, mas vendo bem as coisas, se calhar é melhor assim.