sexta-feira, fevereiro 05, 2010

A árvore mais alta


Trepou por entre os ramos até chegar ao topo da mais alta árvore da floresta. Carregava às costas uma corda. Desconfortávelmente sentada, observava o horizonte. A paisagem deserta, o silêncio assustador tornavam aquele momento único. Era só ela, a árvore e o luar.
Prendeu uma das pontas da corda ao mais robusto ramo. Da outra ponta, fez um laço que ajustou à volta do pescoço. Estava tudo a postos. Deixou-se ficar a desfrutar daquele derradeiro momento. A partir de agora só havia uma saída. E foi essa única saída que ela tomou.
Levantou os olhos.
Contemplou a estrelas.
Respirou fundo.
Saltou...

quinta-feira, janeiro 21, 2010

As Rosas do meu jardim


As rosas adormecidas descansando ao luar repousam os seus espinhos.
Tamanha beleza assim enaltecida por uma lua majestosa esconde na perfeição o perigo que espreita. Cada pétala reflecte o sonho e a magia das doçuras da vida, mas cada espinho contem o veneno e o pesadelo das agruras do passado.

terça-feira, janeiro 19, 2010

Verde e Rosa


- Verde e Rosa! Vou pendurar cortinados verde e rosa!
A sala quase vazia precisa vivamente de cor. Começou pelos cortinados. Entre escadotes e varões, entre tecido e madeira, lá conseguiu pendurar os cortinados.
- Mmmm... não sei não..., pensou em ela.
- Acho que vou ter que trocá-los de sitio.
Mas o que é certo é que ela ficou impressionada com o poder das cores. O simples facto de cobrir as janelas com aqueles panos de cores fortes fez daquela sala um sitio alegre!
Levantou o volume do radio e dançou!

domingo, dezembro 06, 2009

Por detrás das persianas


Chegou a casa. Mas a casa fria e vazia provocou nela uma sensação de solidão que há muito não experimentava. Sentou-se na varanda como sempre fazia quando se sentia só. Reparava nas janelas dos prédios em redor e imaginava os cenários por detrás das persianas fechadas.
A velha viúva sentada no sofá, a fazer festas ao gato deitado no seu colo.
A dona de casa que prepara o jantar enquanto os filhos correm à volta da mesa e o marido lê o jornal.
O casal recém-casado que faz amor.
E ela, ali sentada a fumar mais um cigarro e a pensar no que será a vida dela daqui uns anos... o mais certo é continuar sozinha, mas vendo bem as coisas, se calhar é melhor assim.

terça-feira, outubro 06, 2009

O cachecol vermelho






Chegou mais cedo que a hora prevista. Sentou-se na esplanada do café. Já há muito que esperava por este dia. Pediu um café. Tirou um cigarro da carteira, acendeu-o e enquanto mexia o café pensava se esta teria sido uma boa ideia.
Nunca antes tinha marcado um encontro com um desconhecido. Olhou em redor procurando pelo rapaz de cachecol vermelho... nada. E se ele o tivesse tirado e a estivesse a observar? Seria aquele ali de sorriso maravilhoso? Ou aquele com ar de quem não se lava há 10 dias? E se fosse um tarado qualquer? E se fosse um principe encantado?
Ela estava aterrorizada com todas estas dúvidas. Desapertou o lenço vermelho do pescoço, arrumou-o na carteira. Lá ao longe viu-o chegar, de cachecol vermelho. Não quis saber quem era. Pagou e foi-se embora.

terça-feira, setembro 22, 2009

Para que servem os homens?

Procuro razões para a existência de homens na terra. Aguardo as vossas respostas que irei acrescentando. Num próximo post tentarei analisar tudo isto.

- Para se reproduzirem
- Para transmitir valores
- Para mostrar às mulheres o quanto elas são importantes
- Para mudar as lâmpadas
- Para ficar em casa com os filhos enquanto a mulher vai para a borga
- Para abrir frascos de compota
- Para matar insectos nojentos

quarta-feira, setembro 16, 2009

Não há vida sem ele

Nunca o larga, onde quer que vá leva-o sempre consigo. Ela já não passa sem ele. Aliás desde muito pequena que não vive sem ele. Ele é a sua mais fiel companhia. Nunca a abandonou, nos bons e nos maus momentos ele está lá. Espera por ela junto à cama, acompanha-a nas viagens, faz-lhe companhia quando toma café e desperta nela todo o tipo de emoções.
Um Livro, seja ele qual for, está e estará sempre presente na sua vida. O que seria dela sem um Livro. O poder das letras, o efeito que cada frase, cada parágrafo tem sobre ela é fascinante. Através das páginas ela já foi rainha, policia, animal, vampiro, já correu o mundo e até conheceu outros planetas. O poder do livro é esse mesmo: podemos ser quem quisermos, irmos onde quisermos.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Estranha criatura

Não se reconheceu. Do outro lado, no reflexo do espelho, estava alguém desconhecido. Não sabia quem era mas parecia ter vindo para ficar. Assustada, trancou-se em casa. Onde quer que ela vá é perseguida por esse ente estranho que nada mais faz que assustá-la. Chegou a pensar se aquela estranha criatura pudesse ser ela própria. Impossível. Ela não tinha aquele ar abstraído e aquele olhar vazio... pelo menos achava ela assim. Aquela estranha tinha que partir e depressa. Já não a suportava, já não se suportava a si própria. Escondeu-se debaixo dos cobertores e esperou que se fosse embora.
Ainda hoje espera.

terça-feira, setembro 08, 2009

O Regresso

Voltou da tão esperada viagem à Escócia. Chegou a casa com a sensação de nunca ter partido. Apenas o bilhete de avião que ainda guardava na carteira e as malas por arrumar lhe faziam lembrar que esteve fora.
As paisagens lindíssimas que viu ficaram resumidas a umas quantas fotografias. Trouxe, no entanto, uma certeza com ela: A certeza de lá voltar!!