terça-feira, maio 12, 2009

Eu dou...

... alegria a quem está triste.
... atenção a quem está só.
... carinho a quem mo pedir.
... uma dose de boa disposição quando for preciso.
... eu dou e voltarei a dar, sempre que me pedirem, uma mãozinha para se levantarem.

E sei que quando eu precisar, como já precisei, terei sempre alguém para me dar a mão.

"Se alguém está tão cansado que não te possa dar um sorriso, deixa-lhe o teu" (Provérbio chinês)

segunda-feira, maio 11, 2009

A casa

A casa tinha o cheiro de abandono. O pó cobria os pouco móveis dispostos de forma desarrumada pelas várias divisões. A escuridão dominava o espaço vazio.
À medida que ela abria as portadas, a casa despertava. As janelas abertas deixavam entrar o vento que trazia com ele o cheiro a mar. As camas, cobertas com velhas mantas, esperavam por quem lhes desse uso.
Durante dois dias, a casa ganhou vida. Ao cheiro de abandono misturou-se o cheiro a comida, a perfume, a mar. Durante dois dias, o silencio deu lugar a risos, a conversas, a música. Durante dois dias ela foi ainda mais feliz.
Até que as janelas se voltaram a fechar, a escuridão voltou a dominar o espaço e o silêncio fez-se ouvir. A casa voltou a adormecer e ela prometeu voltar a despertá-la.

sexta-feira, maio 08, 2009

O Calor

Já faz alguns anos que ela deixou para trás o país frio que a viu nascer. Um país onde as montanhas disputam o lugar mais perto do céu, um país onde o verde quase se sobrepõe ao cinzento das cidades, um país que ela nunca esquecerá!
Apesar de vir do frio, o que ela mais aprecia é o calor, qualquer tipo de calor. O calor do sol a bater na pele, o calor do aquecedor nos dias de inverno, o calor da lareira que ela não dispensa, principalmente pela companhia que lhe faz.
Mas há um calor de que ás vezes, e só ás vezes, eu diria até muito poucas vezes lhe faz falta. É o calor humano.
Apesar de serem poucas as vezes que ela sente esta falta, quando esta ausencia lhe chega... bate-lhe com uma força incrivel. É nessas alturas que ela se lembra de como é bom ter alguém capaz de, para além de lhe aquecer a cama, poder aquecer-lhe a alma e o coração.
É ela uma "viciada" no calor. Que contradição... nasceu no país do frio.

quinta-feira, maio 07, 2009

Pedra fria

Tenta sempre arranjar companhia para sair, não gosta de estar sozinha. Gosta de companhia de momentos, gosta que lhe liguem, que a convidem para qualquer tipo de actividade. A única coisa que ela defende, é o seu espaço. Gosta de fazer o que quer quando quer e não se deixa levar por falinhas mansas. Não suporta lamechices.
Há quem diga que ela é má, há quem diga que ela é fria. Mas o que é certo, é que ainda não apareceu quem conseguisse derreter o seu coração de pedra. Enquanto esse dia e essa pessoa não chegarem, ela vai continuar assim... a zelar pelo seu espaço, o bem mais valioso que ela possui!

quarta-feira, abril 29, 2009

segunda-feira, abril 27, 2009

A Abóbora e a Bolota

Houve noutro tempo um homem, que passando junto de uma planta rasteira com tão grandes abóboras e vendo uma azinheira formidável comum fruto tão pequeno, se sentou à sombra desta árvore e se pôs a criticar a obra de Deus.
- Se fosse eu - dizia ele - daria a uma azinheira o fruto do tamanho de uma abóbora e à aboboreira o fruto do feitio de uma bolota e de igual tamanho desta. Já se vê que Deus nem tudo fez bem feito.
Cansado da jornada deixou-se adormecer.
Mais tarde acordou o homem no momento em que lhe caía na testa uma bolota. Então ergueu-se à pressa e exclamou:
- Agora já vejo quanto foram errados os meus juízos! Se fosse uma abóbora o fruto desta árvore onde teria eu a cabeça a estas horas! Teria ficado esmigalhado debaixo de tão grande fruto. Nada, nada: tudo o que Deus fez foi muito bem feito.


Ataíde Oliveira, "Contos Tradicionais Portugueses" (adaptado)

terça-feira, abril 21, 2009

Pergunta do dia

Porque é que as rosas não são todas rosas?

Há rosas vermelhas, amarelas, brancas e rosas.
Porque é que cor de rosa é rosa e não amarelo, branco ou vermelho?
Porque é que cor de rosa há-de ser sempre associado a meninas e não a meninos?

sexta-feira, março 20, 2009

Não existem lâmpadas mágicas!

O caos em que se encontrava o apartamento dela não a incomodava. Sempre deu mais importância aos pequenos prazer da vida do que às vassouras e afins. Mas naquele dia, uma súbita vontade de limpar, esfregar e arrumar apoderou-se dela. Era como se a energia que gastava aliviasse a raiva que jorrava de dentro dela. Fazia da vassoura a sua espada para se defender do lixo que temia apoderar-se da sua alma. Esfregava as paredes pensando que, tal como nos contos das mil e uma noites, pudesse sair dali um génio que a pudesse salvar dos males que teimavam em não a largar.
Quando as forças finalmente a abandonaram, deu com ela deitada no frio azulejo. Tinha chegado à conclusão que os pequenos prazeres da vida não se encontravam entre aquelas paredes. Calçou as sapatilhas gastas pelo uso, vestiu o casaco debotado e saiu.


CristinaGuerra

sexta-feira, março 13, 2009

O leão, a lebre e o cágado

A lebre só tinha uma cabra. Sabendo que o leão possuía um bode, propôs a ele que lhe emprestasse o animal por uns tempos para que sua cabra tivesse filhotes. Quando isso ocorreu, a lebre foi devolver o bode ao leão. Entretanto, ele exigiu as crias, alegando que sem o seu bichinho a cabra jamais as teria tido. Como não conseguiram entrar em um acordo, procuraram a ajuda do tribunal dos anciãos. O tribunal deu ganho de causa ao leão, apresentando a mesma justificativa que o vencedor já havia utilizado anteriormente, ou seja: sem o bode a cabra não teria tido filhotes. Todavia, como faltava o cágado, também membro no tribunal dos anciãos, a lebre solicitou que se aguardasse a sua chegada, com o que todos concordaram, por questão de justiça. Após um dia inteiro de espera, chega o cágado. O leão, furioso, perguntou a razão para tanto atraso, ao que ele respondeu que sua demora devia-se ao fato de que ele estava assistindo ao parto de seu pai. Todos riram, perguntando onde se viu homem dar à luz. Então, o cágado perguntou se não disso, afinal, que se tratava. Imediatamente, os anciãos mudaram de posicionamento, dando ganho de causa à lebre, pois compreenderam que, já que é a mulher quem dá à luz, a ela os filhos pertencem.

CONTO POPULAR DA ANGOLA


Texto retirado do site http://pt.shvoong.com/

quarta-feira, março 11, 2009

Ó p'ra mim de volta!!

Há quanto tempo!!
Nem sei bem porque é que me afastei do meu blog...
Uma das razões é o facto da minha máquina fotográfica ter dado os seus últimos suspiros. E custa-me "roubar" imagens que não são minhas... Um blog sem imagens fica incompleto, a meu ver.
Mas mesmo assim decidi escrever o que me vai na alma e deixo azo à vossa imaginação para ilustrarem mentalmente o que aqui lerem.
Vamos lá então ver o que me vai na alma...
...
...
...
...
humm
...
...

... nada.
O problema hoje é mesmo esse... sinto-me vazia, incompleta, tenho a sensação de que me falta algo. Mas o quê?
O sabor da minha alma tem um ligeiro travo de tristeza. Não compreendo. Não sei de onde surgiu este odor de solidão que se apoderou de mim hoje. Aguardo ansiosamente o toque da alegria que normalmente me inunda. Por mais que ponha os meus sentidos à prova só consigo sentir o calor do sol que hoje brilha intensamente.
Vou então escutar os conselhos que a noite me trará e amnhã, certamente, será um melhor dia!